Sim, seja o que for, o desencontro é a regra. Lu, perdoa os meus limites?
Vejo um significado possível para o desencontro de moods: a ansiedade de não encontrar no outro o que esperávamos, e esperávamos tanto, e precisamos de tanto. Mas, então, empoçados diante de nós mesmos. Pois talvez o engano seja resistir a enxergar o outro além daquilo que queríamos encontrar nele (o que é o mesmo que ver apenas a si próprio). Aí está talvez a mais grave das solidões. Mas se olhássemos de fato, talvez encontrássemos a infinitude no outro, como essa vertigem dentro de nós que nos traga. E a identificação seria tão mais forte e profunda quanto inesperada. Mas essa insistência burra, de se forçar sobre o outro, de ver a morte onde não nos encontramos. Mas há vida, tanta vida, além de nós mesmos. Em Sidarta, isso fica tão claro, mas mesmo assim, me esqueço das lições que importam, e sigo burro.
“E ambos escutavam o murmúrio das ondas. Suavemente ressoava o canto das inúmeras vozes do rio. Sidarta olhava as águas e na corrente surgiram imagens: aparecia-lhe o pai solitário, a lamentar a perda do filho; aparecia-lhe ele mesmo, igualmente solitário, ligado ao filho distante pelas amarras da saudade; aparecia-lhe o filho, também ele solitário, a percorrer avidamente a pista abrasada dos seus desejos juvenis. Cada qual tinha os olhos fixos na sua meta; cada qual andava fanaticamente atrás do seu desígnio; cada qual sofria. O rio cantava com voz plangente. Cantava saudades. Angustiado, dirigia-se a sua voz, e sua voz soava melancólica.”
“Quando alguém procura muito – explicou Sidarta – pode facilmente acontecer que seus olhos se concentrem exclusivamente no objeto procurado e que ele fique incapaz de achar o que quer que seja, tornando-se inacessível a tudo e a qualquer coisa porque sempre só pensa naquele objeto, e porque tem uma meta, que o obceca inteiramente. Procurar significa: ter uma meta. Mas achar significa: estar livre, abrir-se a tudo, não ter meta alguma.”
Em Todorov, o comportamento de Colombo não é simplesmente típico de um homem da Idade Média. Impor esquemas interpretativos sobre a realidade, a revelia dela, é o que fazemos todos os dias. Também Colombo não enxerga o outro, os ameríndios, mas sempre a si mesmo. E os ameríndios? Igualmente não enxergam os espanhóis, apenas a si mesmos. E eu? Enxergo alguém além de mim?
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