23.8.07

Experimento

Eisenstein foi um dos cineastas que se opôs veementemente à introdução do som no cinema. Mas, depois de comprovado que o filme sonoro não era uma moda passageira, buscou se posicionar diante da inovação. A introdução de um novo elemento na arte cinematográfica só se justificava se contribuísse para torná-la mais rica. E riqueza para ele era sempre produto da montagem, dos sentidos que a justaposição de imagens era capaz de comunicar. Sentidos novos e únicos, porque imagem fotográfica – como unidade básica da “escrita” cinematográfica - não era equivalente, e não podia ser substituída, pela palavra. A qualidade singular da imagem decorreria da correspondência que guarda com o pensamento e a imaginação humana (nunca somos capazes de dizer exatamente aquilo que pensamos), e portanto, o cinema significava uma forma mais elevada e mais complexa de pensamento/comunicação. Como bom engenheiro que era, levou essa proposição ao paroxismo, chegando a trabalhar na adaptação de “O Capital” para o cinema.

Mas de volta ao som. Ele só poderia contribuir ao desenvolvimento da arte se cumprisse uma função contrapontística. Isto é nunca apenas reforçando ou ilustrando algo que a própria imagem já é capaz de comunicar.

Se estendemos esse raciocínio a toda a justaposição de meios expressivos distintos(não só a imagem e o som, mas a imagem e a escrita), temos o experimento que proponho (nada novo nem original).

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