fragilidade não quer dizer apenas “que se quebra facilmente”. gosto de pensar no frágil como o precário, o efêmero (esse sentido também está lá no dicionário). e o nu me fala disso, daí a associação com a morte do corpo (mas tá, tá, entendi que você estava falando do “seu nu”). aceito que o nu também comunica a vulnerabilidade, esse estar “sujeito a ser atacado, derrotado, prejudicado ou ofendido”. acho que o nu na crucificação diz menos sobre o frágil do que sobre o vulnerável: o fantástico do nu de Deus é que me diz que Ele também está sujeito à dor, mesmo sendo Deus ou exatamente por sê-lo. Deus não é efêmero, porque é eterno e a crucificação já anuncia a ressurreição.
mas a fragilidade que me desconcerta mesmo não é a do corpo, e sim a das relações humanas. na maior parte das vezes é o desencontro de moods, de impulsos emocionais, mas também um silêncio significando descuido ou uma palavra mal compreendida e o fio da empatia se rompe. as almas deixam de vibrar no mesmo tom, ruído. mas sabe que já cansei de buscar a coerência das coisas, do mundo, das pessoas, vejo que tudo está encharcado de tensões e de ambivalências. então vejo que as relações humanas não são somente frágeis, porque elas são um pouco fênix, tem um poder mágico de renascer das cinzas. quantas vezes todos nós já nos afastamos e nos reaproximamos só para se afastar uma vez mais.
(só por curiosidade, ainda queria achar um nu - na arte - que não fosse nem frágil nem vulnerável, se alguém cruzar com algo, posta aí. é que esses parecem mesmo ser os sentido mais fáceis de acessar, tanto para o artista quanto para o público. será que no bacon o nu adquire outras dimensões? ah, na arte grega e no renascimento, o nu é outra coisa.)
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