21.8.07

do Outro

acho que tudo começou de verdade ao caminhar pelas ruas de uma europa orgulhosa de sua tradição cultural e ver misturadas nas paisagens de cartão postal umas caras que destoavam e pareciam gritar que o mundo não era aquilo não. essas caras eram os pobres do terceiro mundo, latino americanos, africanos, muçulmanos, nossos Outros globalizados. esse Outro que produz em nós o medo e a compaixão – assim mesmo misturados –, mas tenho certeza que nunca a identificação. sou uma cidadã latino americana, mas antes sou da classe-média-globalizada-participante-dos-circuitos-internacionais-universitários-turísticos-de-consumo. Não, não sou uma cidadã latino americana, pelo menos não no círculo da classe-média-globalizada-participante-dos-circuitos-internacionais-universitários-turísticos-de-consumo que freqüentei por lá. latino americanos são os imigrantes pobres, desgraçados, sujos, preguiçosos, bêbados, ilógicos.

e aí tropecei n’a conquista da américa, do todorov, e no orientalismo, do said, e lá encontrei umas vozes européias que ressoaram na minha mente outras vozes européias que escutei quase ontem. incrível como as visões corrompidas do Outro vão se reciclando através dos séculos e justificando e alimentando a destruição, velada ou escancarada, desse Outro maldito.

então me pergunto se a alteridade é um lugar existencial impossível ou somente improvável.

[texto ainda em construção, só como um voto de intenção de participar]

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