29.11.07

Brasília não é uma festa

brasília é uma cidade anti-gente. aliás, brasília não parece uma cidade, porque nela não pulsa a urbanidade tecida pelo vaivém dos transeuntes. as pessoas são escassas em brasília, pelo menos a céu aberto.
a amplitude do espaço é opressiva: a distância que o olhar alcança não pode ser vencida pelas pernas. as largas avenidas sem calçadas avisam ao recém-chegado qual é o meio adequado ao movimento.
brasília é o delírio modernista do controle absoluto, não deixa espaço para que o inconsciente da cidade se expresse em alguma
esquina, até porque, para não abrir a possibilidade de surpresas, não há esquinas. quilômetros são percorridos sem que a paisagem se transforme. a cidade plasma-se na retina como uma sucessão de caixas de fósforo de concreto, todas iguais: mesma tonalidade, mesma altura, mesmas janelas quadradas sem sacadas. moro na 615 sul, quadra B. um mundo assustador digno de orwell.

Um comentário:

luciana disse...

créditos: a primeira foto é do renato e a segunda é minha.