a amplitude do espaço é opressiva: a distância que o olhar alcança não pode ser vencida pelas pernas. as largas avenidas sem calçadas avisam ao recém-chegado qual é o meio adequado ao movimento.brasília é o delírio modernista do controle absoluto, não deixa espaço para que o inconsciente da cidade se expresse em alguma esquina, até porque, para não abrir a possibilidade de surpresas, não há esquinas. quilômetros são percorridos sem que a paisagem se transforme. a cidade plasma-se na retina como uma sucessão de caixas de fósforo de concreto, todas iguais: mesma tonalidade, mesma altura, mesmas janelas quadradas sem sacadas. moro na 615 sul, quadra B. um mundo assustador digno de orwell.

Um comentário:
créditos: a primeira foto é do renato e a segunda é minha.
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