10.11.07

Bastidor da foto

A única luz acesa é a da copa. É o plano mais distante. Todos os outros na frente estão com a luz apagada. A luz da cozinha estoura com o obturador aberto a cinco segundos, sob uma abertura do diafragma em 5.6 (razoavelmente bem aberto)

Assim, daria para ver na sala escura o lustre, o teto marrom, a luz da copa que reflete no teto. A Parede amarelada, o vaso com flores vermelhas e brancas em cima da mesa. No primeiríssimo plano não dá pra identificar direito a poltrona nem suas cores. A foto está borrada porque o tempo do obturador é muito longo para agüentar manualmente. Nada de tripé nas experimentações.

Mudando o tempo para 1/25 segundos de obturador aberto a cena é esta (A foto do blog):

A copa tem uma luz nítida, um tanto quanto amarelada. Dá pra ver nitidamente uma cadeira, outra parte de uma cadeira, a mesa, a cortina branca ao fundo, a grade na janela, uns pequenos detalhes nela, e a noite lá fora. É noite. Fora do foco do retângulo que forma a copa, vemos uma grande escuridão. O vaso, em cima da mesa, à direita, no plano médio, ofusca alguma luz, irreconhecível. De resto, o contraste é grande. Uma luz muito boa dentro da copa, uma luz opaca por toda a cena. Essa luz seria muito boa para tirar foto dentro da copa, se eu estivesse por lá. Mas estou sentado numa poltrona, a uns 10 metros de distância da copa, vejo uma cadeira, estou de frente para uma poltrona, vejo a sala da mesa e do vaso das rosas, o jardim de inverno, o chão e o retângulo que é a porta da copa, tudo escuro.

Em homenagem ao Santiago, eu vou lá no quarto da minha vó, ela assiste novela, falo que tem uma coisa legal lá na copa, peço pra ela sentar e esperar. Aí, eu desapareço no escuro, onde ela é incapaz de enxergar, e tiro fotos. Depois eu volto, falo que não tinha nada não, que ela podia voltar a assistir novela. Ela me xinga e volta lá pro seu quarto, pra sua rotina.

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