5.11.07

Homenagem à foto do Luis (publique mais, porque quantidade é qualidade)

Estático, nas fotografias, a vida parece inofensiva. Algo de essencial se perde, de essencialmente nocivo. A vida domesticada. Se o instante é a expressão, inexpressível, do estar vivo, porque irrecuperável e imprevisível, então, a fotografia quando o captura, o faz castrando-o de sua essência, mas preservando a certeza de que um dia existiu. O instante paralisado se duplica em eternidade, essa eternidade que é paz, e é também terror, porque expansão incontida, capaz de esmagar, desintegrando, tudo em seu interior. A fotografia, quando interrompe (ou/e expande) o tempo, neste movimento, faz o morto resurgir em sua imagem antiga (igualzinho ao recém-nascido de outra fotografia). Como por mágica, vida e morte se igualam num outro plano (artificial) da existência.

Quando olhava as fotos de uma viagem, as cores que via eram mais vivas que as da minha memória, os sorrisos(os meus, os dela) eram mais sinceros. Aquilo que vivemos sem entender, num movimento atropelado e sem direção, ganhava cores nítidas, contornos claros, compreensíveis, sintetizáveis. Um olhar pode ser tristeza, mas uma tristeza pontual, localizável e contida somente, exclusivamente, nele. Enquanto na vida, a tristeza se espatifa sobre nós, como um copo de vidro sobre o assoalho da cozinha. Sem querer, sempre encontramos aquele caco que esquecemos de varrer, que nos penetra a carne, que sangra, e sem aviso redói. Dor que não pode ser rasgada, como a foto que nos desagrada. Ato metonímico, rasgar a parte pelo todo. Ato patético de quem não domina o tempo como as máquinas(fotográficas)

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