3.10.07

Sonho de 4 de dezembro de 2006

Sonho de 4 de dezembro de 2006, na noite entre o primeiro e o Segundo dia de filmagem de Réquiem. (É um sonho sonhado mesmo!)


Um jovem, inexperiente, percorre todas as madrugadas um mesmo percurso de carro. Em uma delas, por acaso ele precisa parar num Bar de beira de estrada. Este bar não é um lugar que ele normalmente pararia, escuro, letárgico, as pessoas que o freqüentam parecem vagabundos, viciados, bandidos. A atmosfera decadente chama a sua atenção, No bar não há mulheres com exceção de uma (Não sei seu nome), ela é mestiça de negra e indígena, tem o rosto assimétrico, a pele mal-tratada, veste-se vulgarmente, saia curta, peças transparentes, coxas grossas, traseiro abundante, o cabelo alisado, mas se comparada com as outras pessoas daquele lugar é linda. Ela parece acompanhada por um homem ruivo, com terno e gravata, mas o colarinho da camisa aberta e o terno meio encardido, uma barriga de chope, bigode e uma barbicha ruivas. Calvo, mas com cabelos ao redor da cabeça e parece que a muito tempo não os corta. Para o jovem, o homem é completamente repugnante, olhos fundos, suor, os movimentos pesados, parece completamente bêbado. O jovem repara nela, tenta distinguir se o ruivo realmente está com ela. Neste instante parece um absurdo que um homem tão ridículo e pequeno esteja ao lado de uma mulher violentamente maravilhosa. Ela é violenta. Ele sabe no fundo que a mulher é completamente vulgar, mas a acha sexy, um olhar seguro, que se impõe como se nada a ameaçasse, parece se sentir em casa, e não temer a violência do mundo. O jovem está cagando de medo do bar e das pessoas que o freqüentam, mas ao mesmo tempo é atraído pela atmosfera e pela presença perturbante da mulher. A mulher repara que ele olha para ela, ela olha fixamente, ele desvia o olhar, ela cochicha algo com o homem ruivo, ele sorri com ela e depois olha para o jovem, sem se importar com o fato de que o jovem percebe estar sendo observado. O jovem sabe que ela sabe que ele se sente atraído por ela. Quando ela olha para o jovem da forma como ela olhou, é como se ela dissesse para ele, algo que ele preferia não ter assumido para ele mesmo. O ruivo termina a dose que tomava, agarra a mulher pela cintura e passa por traz do jovem, o jovem sabe que está sendo provoca pelos dois. O casal deixa o bar, e ele sai em seguida. Volta para a estrada, sua vida continua

Outro dia, passando de novo pela estrada de madrugada, ele não resiste e pára de novo. Dessa vez, o ruivo está passado no balcão. A mulher está ali, como se nada tivesse acontecido. O jovem se senta em outro ponto do balcão de onde ele pode ver a mulher. Ele olha, o jovem não sabia se estava lá para arrefecer o seu desejo ou alimenta-lo. Nega-lo ou realiza-lo. Mas quando ela veio andando em sua direção, tudo que ele pode sentir foi um medo opressor e um desejo incontornável. Ela o pega pela mão e o leva para um quarto numa pensãozinha ao lado do bar. Ninguém no bar reage a atitude da mulher, o ruivo continua apagado no balcão. Só quando os dois já estão no quarto que ela fala com ele. Sentada na cama, ele de pé, começa a tirar a roupa e o informa que o programa é 12 reais. Só aí o jovem entendeu que ela era uma prostituta. Ele fica chocado e depois constrangido: porque ele não havia deduzido isso.

Ele mais uma vez fica constrangido, agora, ao pensar que ele desejava comer uma mulher que dava por 12 reais. Sentiu nojo, mas não dela, mas de si mesmo, por desejar uma mulher que certamente havia passado por homens asquerosos. Não sabia o que fazer. Ele já não queria mais ficar, mas tinha vergonha de sair, medo da reação dela. O jovem perguntou para ela do ruivo, ela explicou que sim, que eles eram um casal. Que eles moravam em outro quarto naquela pensão, que ele a sustentava e ela cuidava dele. O jovem perguntou por que, e ela respondeu que porque sim. Neste instante, mesmo ela custando 12 reais, o jovem voltou a se sentir atraída por ela. A mesma força, segurança, olhos incisivos, voz calma e sincera, nada afetada. Ela conseguia dar dignidade para a situação. Apesar dela cobrar 12 reais, ele percebeu que também ela se sentia atraída por ele.

O ruivo entra de repente no quarto, ela não reage, o jovem quase morre do coração. O ruivo entra, desaba na cama e começa a dormir. Assustado, o jovem sai correndo do quarto, absurdamente constrangido e jurando nunca mais voltar. Mas ele voltará. Ele está apaixonado pelas circunstâncias. Aquele mundo decadente e estranho é humano também, nem mais, nem menos.

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