Eu queria ser uma ilha. Mas são as ilhas mais do as esperanças de um navegante solitário? E mesmo quando escrevo coisas que só eu entendo, elas perturbam as outras. Um texto, meu deus do céu, é só um texto. Quem é que acredita em qualquer um deles? A tentativa de escrever é a tentativa de se aproximar de algum ser inapreensível. Então falamos de como a luz se derrama sobre ele, sobre a nitidez das sombras, notamos o leve deformação do ar ao seu redor, seu reflexo incerto sobre as superfícies que o circundam. As vezes, falamos dele, até ele desaparecer. Quem é estúpido a ponto de descrever uma música ou um poema? Quando a experiência em si reside naquelas porções indizíveis, que poderiam muito bem serem confundidas com a nossa imaginação, projeções de nós mesmos, não fosse o estranhamento que nos arrebatando, nos assegura de nossa insignificância e impotência. Pois que beleza é impotência, mutismo diante do absoluto. E no instante em que falo dela, nada, além do nada em que mergulho os meus sentidos. Branco.
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