20.12.10
16.12.10
Correio Elegante
fico de lá para cá
quem será que é você?
que será que será?
e de cá para lá
acho que num vô
ou vô
sei lá
vô ou num vô?
sabe, tô só
e poesia di amô
num é de brincá
num se diz por dizê
só por cantá
então tá
me deixa dizê
assim
sabe...
eu gosto docê
mas gosto
com vontade
di amá
6.11.10
Sonho 05/11 para 06/11 de 2010
Então eu forço o maxilar superior sobre o dente, pressiono-o, e num movimento único, arranco-o, ele rasga minha gengiva, num esguicho de sangue.
Termino o que tinha a dizer.
3.11.10
Xenofobia do paulista se superando
Terei que estragar a boniteza que está este blog, com um link dos mais lastimáveis que já vi nos últimos tempos! Sinceramente às vezes esqueço como as pessoas podem se superar...
http://www.youtube.com/watch?v=tCORsD-hx0w&feature=player_embedded#%21
30.10.10
27.10.10
Balanço de um ex-adolescente
O que dá liga aos enredos é o Sentido: com sua consistência de poeira, encobrindo todos os cantos da memória, cada unidade aleatória que a compõe, e atribuindo a elas um traço em comum, esse traço que as transformam em partes. Essas partes que juntas dão o todo. Esse todo que chamamos de Vida.
A poeira não nasce dos objetos que ela encobre, o Sentido também não. Não é uma enorme coincidência que tudo fique enpoierado, isso não revela a harmonia cósmica da existência. A poeira apenas indica uma coisa: a ausência de movimento. É por isso que acredito que Sentido tem consistência de poeira.
Quando nos movemos demais, a poeira levanta, o Sentido se vai. Foi assim, é assim.
Entao, eu paro, e espero. E olho.
É claro que nem sempre entendi o Sentido dessa maneira.
No início eu procurei o Sentido entre aquilo que me ofereciam. Experimentei alguns, mas não serviram.
Depois, acreditei que o Sentido fosse um segredo, a riddle, wrapped in a mystery, inside an enigma. Que era preciso descobrí-lo. Eventualmente, desisti.
Por fim, compreendi que se ele não existia, o Sentido deveria ser criado. Tiraria um da minha própria cartola.
12.10.10
Divagações sem pé: a vida contra a vida
Acho que não contei para vocês: meu irmão foi convidado para fazer o mestrado na USP pela orientadora de iniciação cientifica dele. Ela que está começando o pós-doc lá. A área: arte russa. Alguma coisa sobre as intersecções com a literatura russa. De fato o mestrado é na Letras e não no departamento de Arte.
Além de me deixar bastante orgulhoso. E me levar a pensar que finalmente algum dos filhos do Professor Rogerio concretizará seu sonho de iniciar uma linhagem de acadêmicos.
Além dessas duas coisas, tudo isso me levou a pensar num problema bem relevante para mim, apesar de quase incompreensível para quase todas as outras pessoas: como viver ao mesmo tempo uma vida prática e intelectual equilibradamente ativa?
A verdade que, espontaneamente, eu oscilo entre fases mais intelectuais e fases mais práticas. As vezes entre dias mais pra cá, e outros mais pra lá.
Isso não é em si uma dúvida existencial no sentido do "o que eu quero?" ou "quem eu sou?", mas no sentido de "como fazer funcionar?". As dúvidas de vocês, qual a natureza delas hoje? São do tipo "o que", "quem", ou mais, "como", ou na verdade, nenhuma, nem outra, mas outra completamente diferente?
O equilíbrio
(Tentar elaborar o que seria esse equilibrio é a minha maneira de refletir sobre o problema)
O que é a vida prática: para mim é o pensamento como instrumento coextensivo a ação. É o antebraço do agir. É quando o pensamento se dedica ao resultado e encontra a sua razão de ser no resultado. Quando eu fundamento a minha existência no resultado. Essas ações e resultados são públicos, se desenrolam na esfera dos objetos e objetivos comuns, eu tenho testemunhas, cúmplices, tenho adversários. Aí a importância dela, porque a minha personalidade pública - veja bem, minha, ainda que pública - só ganhou consistência - no sentido do cimento que é consistente, e não no sentido de coerência - quando passei a me dedicar as ações.
Concretamente: o trabalho - ou seja, o contexto social que ele implica, a consciência de nós mesmos que ele permite, as exigências que ele impõe, e talvez o mais importante para mim, a possibilidade de partilhar da vida de pessoas estranhas -, enfim, o trabalho me permitiu um outro acesso intelectual ao mundo, um novo chão sobre o qual pude construir a minha compreensão de mim mesmo e da minha vida.
Agora eu me pergunto: o que é vida intelectual? Intelectual não é uma boa palavra porque na verdade abarca a vida espiritual, todos as dimensões emocionais também. A vida intelectual é o lugar da contemplação infinita, mas não da contemplação do infinito. A poltrona cômoda que me transforma em observador de mim mesmo, acho que é só isso. E quando olho pro mundo como intelectual, olho para um mundo onde eu também estou dentro. E dessa poltrona eu consigo pensar os meus sentimentos, e sentir os meus pensamentos, e não há objetivos nem resultados, porque não há limites. Há estruturas mas estruturas que flutuam, surgem e depois desaparecem. Vida intelectual, hoje, para mim, é vida diletante, é o pensamento que se compromete apenas em pensar. Mesmo que depois a vida prática possa se apropriar de alguns desses pensamentos. E daí, nesse sentido obscuro que acabo de descrever, a vida acadêmica não é intelectual quando se empenha na construção de uma carreira de pesquisador ou professor. O que não quer dizer que um pesquisador ou professor não tenha vida intelectual - dessa maneira ridícula que eu coloco - mas é para distinguir que quando o pesquisar pesquisa o seu tema de pesquisa ele está na vida prática, é só que a vida prática dele se debruça sobre idéias, mas essas idéias não permitem esse transito que descrevi entre sentimentos e ideias, ideias e sentimentos. Essas ideias do pesquisador são apenas ideias, e ideias que porque servem a um objetivo bem concreto, um doutorado ou bolsa de estudos, não são livres, não podem ir para qualquer lugar que queiram. Essas ideias dos professores, de pesquisadores possuem caminhos que precisam percorrer, lugares a chegar, e um tempo cronometrado para isso.
Se por um lado, entrei na vida prática, desde o início, já com uma distância, própria do intelectual frio e apartado da realidade, distância que é impreescindível à qualquer olhar crítico, e ao mesmo tempo perigoso pela sua falta de engajamento. (A falta de engajamento é um perigo porque acho que para se tentar se aproximar da verdade precisamos, eu acho, da necessidade de alcançá-la, e me parece, essa necessidade da verdade - que nos obriga a abrir mão de argumentos fracos e cômodos - só nasce de um certo empenho subjetivo, íntimo em relação aquilo que estudamos). Ao mesmo tempo que entrei como um intelectual na vida prática, entrei na vida prática como forma de recusar a vida intelectual em si.
Quis muito recusar a vida intelectual no início, exatamente porque ela era essa distância entre mim e o mundo, e a realidade, e essa distancia, eu não a enxergava como opção, mas como covardia. Mas não era, na verdade, o problema da covardia, pensando bem. A formulação da covardia já é um sintoma da necessidade de negar a vida intelectual. Acho que o problema é que desde de que entrei na Economia, suponha a existencia de uma conexao visceral entre o mundo real e o das idéias. Quis, de verdade, fazer Economia para salvar o Brasil. Não era demagogia. E daí veio a arte e o cinema como essa outra maneira de conectar visceralmente o mundo real e o das idéias. Mas, estando lá, no sub-mundo do cinema amador, não encontrei essa conexão, encontrei apenas, a mesma cisão entre vida intelectual e vida prática. Essa cisão é algo que precisaria explicar melhor em algum momento.
Mas valor lá, continuo. O fato é que essa cisão me pareceu uma falta, obviamente, não do mundo que é objeto, neste sentido, mas da vida intelectual que não consegue chegar nele. De fato, mergulhei no sentimento de que a vida intelectual era uma falsa vida, porque com a pretensão de compreender a realidade a obliterava. Na verdade, o problema era simplesmente que a vida intelectual não dá conta da totalidade, não quer dizer que ela seja falsa.
Tentar recusar a vida intelectual, vejo agora, me permitiu um outro ponto de vista da própria vida intelectual. Olhei para eu mesmo de uma outra posição e percebi que os limites da vida intelectual não eram intransponíveis. E ao mesmo tempo, questionei a necessidade de sempre transpor todos os limites.
É engraçado, sou uma pessoa com fortes tendências obsessivas, e preciso sempre estar atento a esses impulsos, que obviamente, nunca consigo controlar completamente.
Então cheguei nesse lugar em que vida intelectual e vida prática não precisam se opor, mas precisam encontrar não apenas os seus lugares - o tempo é sempre um limite - mas também preciso encontrar os regimes de relação entre elas.
Por exemplo, agora quando escrevo, estou usando a minha vida prática como maneira de alimentar a minha vida intelectual. Mas ao mesmo tempo, acomodar a minha vida intelectual, abre espaço, torna mais comodo o encaixe da minha vida prática.
2.10.10
30.9.10
Entrevista com Adorno sobre a minha empreitada como empresário
7.9.10
amor fati ou do lance de dados da vida
"tal como quando se lançam os dados, assim devemos endireitar as nossas próprias posições, de acordo com o que saiu (...) e, se nos baterem, não devemos fazer como as crianças que levam a mão ao local da pancada e perdem o tempo a gritar" (a república, 604d).
[nota de rodapé quase desnecessária: sei não se isso não se parece com a crítica de nietzsche ao ressentido. humm, nietzsche fechando com platão. será? ando no encalço dessa intuição controversa.]
From www.advivo.com.br
O 5 de Setembro da Folha
Enviado por luisnassif, ter, 07/09/2010 - 13:22O Biscoito fino e a Massa
(faltou o link)
#DilmaFactsbyFolha: Crônica da Desmoralização de um Jornal
Escrito por Idelber
Muita gente costuma dizer que o século XVIII terminou em 1789, que o século XIX terminou em 1914 e que o século XX terminou em 1991 (ou em 11/09/2001, segundo como se veja a coisa). Claro que não são afirmações a serem tomadas literalmente. São alegorias do movimento real da história.
É neste sentido, alegórico, não literal, que poderíamos dizer que no dia 05 de setembro de 2010, o jornal Folha de São Paulo morreu no Twitter. Continuará existindo, claro, enquanto suas fontes de financiamento permitirem e enquanto existirem jornalistas dispostos, ou obrigados por necessidade, a se submeter àquilo. Mas ele morreu como veículo de comunicação ao qual se possa atribuir um mínimo farrapo de credibilidade.
O mote foi a assombrosamente mentirosa manchete de ontem, que não guardava qualquer relação com a verdade, ou sequer com a própria matéria: Consumidor pagou R$ 1 bi por falha de Dilma. Quem sabe ABC sobre política, concluiu na hora: a manchete não tinha nada a ver com informação. Era algo para Serra usar em seu programa. Como o jornal morreu, não tem sentido refutá-lo com fatos. Dilma já o fez com elegância: (ver vídeo com resposta da Dilma no blog O Biscoito fino e a Massa)
No meio da tarde de ontem, o Flávio Gomes, especialista em automobilismo, lançou esta, a partir de uma tuitada do @eduu27: Vamos criar o #DilmaFactsByFolha. "Dilma serviu o café de Ronaldo no dia da final da Copa de 1998" via @eduu27. Logo a Cynara Menezes, este atleticano blogueiro e outros tuiteiros começamos a elaborar possíveis manchetes para que a Folha servisse de bandeja ao programa eleitoral do Serra. Sucediam-se hilárias tuitadas como:
@flaviogomes69: Dilma a padre no Sul: "Enche os balõezinhos que dá". #DilmaFactsByFolha
@Lau_Roces A Al-Qaeda era só um grupo de árabes nerds fãs de RPG e aeromodelismo. Até conhecerem a Dilma. #DilmaFactsbyFolha
@alexcastrolll Antes de Dilma mergulhar no Mar Morto, ele não estava nem doente! #DilmaFactsByFolha (...)
(...) (ver texto completo no O Biscoito fino e a Massa)
(...) Para quem não conhece o Twitter: o caractere #, quando anteposto a qualquer palavra, a transforma numa "hashtag", ou seja, num link que te permite encontrar todas as outras mensagens com o mesmo assunto, desde que o internauta se lembre de incluir o # colado à palavra. Programas como oTweetdeck te permitem ler ao mesmo tempo, em três colunas, as atualizações daqueles a quem tu segues, as menções a ti mesmo por qualquer pessoa e todas as tuitadas que incluem uma determinada hashtag. Eu recomendo.
Em um par de horas, as tuitadas se sucediam numa velocidade frenética, que leitor nenhum conseguia ler na totalidade, com alusões a tudo, desde o Gênesis (Dilma criou intrigas entre Abel e Caim, por exemplo) até a Copa de 50 (Dilma levantou a saia e atrapalhou o goleiro Barbosa). Sem nenhuma coordenação, de forma espontânea e anárquica, sem qualquer orientação da campanha de Dilma ou participação de sua coordenação de internet, o #DilmafactsbyFolha ia subindo nos Trending Topics (a ferramenta que mede a popularidade de um determinado tema no Twitter) até chegar ao topo dos TT brasileiros e ao segundo lugar dos TTs mundiais. O importante site What the Trend repercutiu, com matéria em inglês. No começo da noite, eu já recebia emails de amigos norte-americanos e até o telefonema de um jornal dos EUA, perguntando: What's #DilmaFactsbyFolha?
Era a Folha de São Paulo internacionalmente humilhada no Twitter.
Evidentemente, a desonestidade da Folha permite que, na edição de segunda-feira, ela tenha ignorado dezenas ou centenas de milhares de tuitadas que correram o mundo virtual e foram comentadas em redações até aqui nos EUA, mas fizesse alusão a um tuíte de Roberto Jefferson. Tanta distração só pode ser culpa da Dilma.
PS: Se, depois desta, tu ainda não te animas a fazer uma conta no Twitter, eu não sei o que te dizer. Além de usar esta caixa para comentar o que queiras, façamos também duas coisas: selecionar alguns dos tuítes favoritos dos leitores do Biscoito (é só clicar na tag e ir descendo a página) e dirimir dúvidas para quem quer se juntar ao microblog e ainda não sabe como ele funciona. Se você ainda não me segue no Twitter, é só ir lá e clicar no "follow". Estou circulando notícias da campanha com certa regularidade por lá.
Atualização: Para a seleção de tuítes citada acima, contei com o auxílio luxuoso de Alex Castro. Valeu.
5.9.10
el tango!
Sinopse DO EPISÓDIO: A história e o presente do tango, autêntica expressão artística argentina seja como dança, música ou poesia.




