27.10.10

Balanço de um ex-adolescente

Eu gosto de respostas. Gosto mesmo. Preciso delas para a coerência do enredo. Qualquer enredo, o meu principalmente. O enredo, ou discurso, é a estrutura dentro da qual precisamos encaixar as nossas experiências, escolhas, acasos, os momentos bons, os ruins. Tudo que marca, que sobrevive na memória, a gente preserva numa moldura narrativa: começou assim, depois continuou assado, e então foi por esse caminho até chegar aqui. E só então, e só depois, podemos sonhar, fazer projetos, planejar: o futuro.

O que dá liga aos enredos é o Sentido: com sua consistência de poeira, encobrindo todos os cantos da memória, cada unidade aleatória que a compõe, e atribuindo a elas um traço em comum, esse traço que as transformam em partes. Essas partes que juntas dão o todo. Esse todo que chamamos de Vida.

A poeira não nasce dos objetos que ela encobre, o Sentido também não. Não é uma enorme coincidência que tudo fique enpoierado, isso não revela a harmonia cósmica da existência. A poeira apenas indica uma coisa: a ausência de movimento. É por isso que acredito que Sentido tem consistência de poeira.

Quando nos movemos demais, a poeira levanta, o Sentido se vai. Foi assim, é assim.

Entao, eu paro, e espero. E olho.

É claro que nem sempre entendi o Sentido dessa maneira.
No início eu procurei o Sentido entre aquilo que me ofereciam. Experimentei alguns, mas não serviram.
Depois, acreditei que o Sentido fosse um segredo, a riddle, wrapped in a mystery, inside an enigma. Que era preciso descobrí-lo. Eventualmente, desisti.
Por fim, compreendi que se ele não existia, o Sentido deveria ser criado. Tiraria um da minha própria cartola.

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