30.12.07

Eu me vingo...

Sou aquele menino de cabelos cacheados sentado ali no canto, ao lado da pilastra de madeira. Sou jovem e suficientemente belo. Conheço algumas moças que me desposariam. Em casa, em frente ao fogo da lareira, dispo-me, e me ponho a admirar os meus músculos- movo o meu corpo- sou como um felino. Durante o verão trabalho nos vinhedos. No inverno, procuro uma ou outra ocupação. Estou sentado agora ali no canto da taberna. Estou bêbado e eletrizado pelas palavras que ecoam por sobre as mesas. Alguém me chama para a batalha, e meu corpo se contorce, estou em pleno gozo. Sou aquele jovem de cabelos castanhos e cachos firmes, sentado no canto, ao fundo, e estou exultante. Dentro de poucos meses eu serei bala, pistola, serei avião de bombardeio; eu serei o asfalto sobre o qual passará o tanque, eu ultrapassarei a trincheira ou então serei o seu adubo. Sou aquele rapaz, logo ali, magnífico, glorioso.

Quando caminho na direção contrária de você,

sou estúpida trágica alegria.

Um comentário:

Anônimo disse...

essa história continua? Eu tenho até aí.

eu adoro o asfalto sobre o qual passa o tanque.