Sabe, começa a me preocupar o fato de que talvez não seja verdade que a medida que envelhecemos, nos tornamos mais sábios. Alguém poderia objetar-me, dizendo que isso é óbvio. Mas, outro responderia que exatamente por ser óbvia a falsidade dos mitos, esquecemos que não acreditamos mais neles, e continuamos agindo como se eles falassem a verdade. (recuperando a lição da Beatriz Sarlo).
Pois bem, sempre esqueço que não acredito mais que a idade me ensinará a viver melhor. Quer dizer, contra as dúvidas de hoje sobre o que realmente quero, envelhecer é encontrar as certezas que me faltam. E depois, envelhecer mais um pouco para aprender como alcançar aquilo que a idade me mostrou querer. A falha de hoje, então, é sempre uma lição necessária, não um pedágio, mas o próprio cascalho que pavimenta o caminho àquilo que quero. Me esqueço que não acredito nisso.
Mas, agora, tenho uma decisão difícil a tomar. E se ela for a errada, não terei aprendido um pouco mais sobre tomar decisões difíceis. Não existirá compensação pelo preço que pagarei. Os erros que cometo, não servirão para serem trocados por acertos futuros. Erro, se acumula. Como as cinzas no fundo daquele lago. E se você aprendeu alguma coisa com o seu, desconfie. Um erro é bem capaz de te ensinar a acreditar numa certeza absurda e nociva.
Bem, se errar não serve pra nada, ainda bem que esquecemos. O Santiago lembrava de tudo. Esquecer é não aprender, e, de fato, os velhos, que supostamente mais teriam aprendido na vida, são os que menos se lembram de qualquer coisa. De fato, meu pai ainda fala abobrinha, talvez fale mais ainda hoje do que a dez anos atrás, mas sei lá, não me lembro mais.
Então, viver não tem nada a ver com descobrir o que se quer, e construir o caminho até lá. Mas daí, já não entendo mais nada, digo, sobre mim mesmo. Segunda-feira dessa semana, chorei muito, e um dos motivos, foi exatamente por, com 26 anos no ano que vem, não estar construindo o meu caminho. (Existe a crise dos 26?). Bem, mas se não há caminho a ser construído, por que não somos capazes de aprender nada com a vida, então, não devo deixar me incomodar o fato de estar desempregado e vivendo com os meus pais.
Que alívio! o incomparável conforto dos raciocínios niilistas... única coisa, que esse aí não foi niilista, foi pura sensatez, para não dizer, um senso comum. Nunca será uma proposição filosófica dizer que a vida na Terra não se organiza em torno dos desejos de cada indivíduo. Se dissesse o contrário, aí sim teríamos uma polêmica.
Enfim, teria logrado evitar futuras crises de choro da minha parte, não fosse a constatação óbvia que falta: essa conclusão é estapafúrdia, inaceitável, completamente estúpida! Sejam quais forem os meus argumentos, não posso aceitar, e não aceito, não ver como um problema os meus 26 anos desempregados e vivendo com meus pais. Donde, a única conclusão que resta, é que realmente, definitavemente, não há o que se aprender com a vida. (o que confirma as minhas premissas, ao negar a conclusão que elas permitem chegar)
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