23.12.07

Feliz Natal

Nestes momentos de terror supremamente silenciosos não sei o que sou materialmente, o que costumo fazer, o que me é usual querer, sentir e pensar. Sinto-me perdido de mim mesmo, fora do meu alcance. A ânsia moral de lutar, o esforço intelectual para sistematizar e compreender, a irrequieta aspiração artística a produzir uma coisa que ora não compreendo, mas que me lembro de compreender, e a que chamo beleza, tudo isso se me some do instinto do real, tudo isso se me afigura nem digno de ser pensado inútil, vazio e longínquo. Sinto-me apenas um vácuo, uma ilusão de uma alma, um lugar de um ser, uma escuridão de consciência onde estranho inseto procurasse em vão sequer a cálida lembrança de uma luz

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