1.9.07

outra imagem e uma descoberta

falando em imagens - agora uma bem mais banal - e em corpos nus, lembram que eu dizia que era uma cabeça gigante pregada a um corpinho? pois é, descobri que não sou não, nem nunca fui. meu corpo é do tamanho do meu coração, imenso, e se expande em todas as direções só para embrulhar o outro na minha ternura. tudo esteve sempre ali, mas só agora enxerguei claramente que o amor, para mim, não é feito de palavras, nem de acertos, nem de atenção, é feito de tato. “eu te amo” não vai muito além de um conjunto de sons cantados por quase todas as músicas, mas é no toque que encontro e comunico o sem fundo do que sinto pelo outro. o amor está na ponta dos dedos que vasculham milímetro a milímetro as fissuras e reentrâncias do corpo alheio, sondando o vibrar da alma e deixando rastros na forma de desenhos imaginários. na ausência do carinho, nenhuma palavra é capaz de ser ponte e então o outro torna-se, de repente, o estranho-distante-frio.
vejo muitas vezes as pessoas se debatendo e se esforçando por decifrar mentalmente qual o tamanho do seu amor pelo outro, se ele é real. perguntas do tipo “será que é amor o que eu sinto?” nunca fizeram muito sentido para mim, o que a gente sente, a gente sente e não cabe em tipologias mentais nem em esquadrinhamentos conceituais. o meu amor é do tamanho do meu impulso de te abraçar te amassar te tocar! aliás, eu até defenderia a abolição da palavra amor, por excesso de uso já se gastou.
fantástico, é a primeira coisa que descubro em mim de que realmente gosto. e não é nada óbvio, pois eu sempre comprei a imagem que vendo de mim por aí, cabeça gigante pregada a um corpinho...
como eu alcancei essa descoberta? bem, aí é segredo.
nem tinha a intenção de falar assim tão descuidadamente sobre o amor, queria mesmo era anunciar minha descoberta, mas já que desemboquei aqui, acho que todo mundo tem algo a dizer sobre o amor – seja já vivido, ainda vivente, mal amado, atropelado, amarrotado, perdido –, queria escutar. alguém pode contar como vocês expressam o amor? as linguagens do amor devem ser tão variadas como nossas psiques.

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