7.9.07

Post-it

Tem horas que as coisas me escapam, perco "essa calma que inventei, bem sei" (Elis). Embrenha-se delicamente a fissura abaixo de mim, na minha cabeça e no meu peito. Olho-me e vejo pontos desconexos entre o passado, o presente e o futuro. Sou uma figura que algum deus brinca de traçar, ligando às vezes os pontos pelo avesso. Pergunto-me sobre o que sou e me vem um enigma. Este, por incrível que pareça, nunca é escuro, sempre claro, colorido e retilíneo: um cubo mágico. Sento no chão, cruzo as pernas e passei a tarde inteira ontem olhando-o. Sempre me escapo. Todos os qualitativos que pregramos nas pessoas são fugazes, apoios que soltam como um post-it amarelo no calor do vento abafado. Tem gente que não sobra nada, era só adjetivo. Mas lutamos tanto por estes papeizinhos!
Obs.: se os nudistas deste blog assim quiserem, este é o meu conceito de ficar nu.

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