5.9.07

entre coisas e nomes, um universo

um dos grandes lemas de auto salvamento do bruno diante de nossa desconfortável condição de acadêmicos-em-formação-assustados-com-uma-academia-bem-menor-do-que-nossos-sonhos-desesperados-na-busca-por-caminhos-de-adaptação-e-sobreviência-emocionais é que mesmo nas pequenas coisas contempladas pelos limites de uma dissertação de mestrado é possível cruzar com as grandes questões (dê em post futuro uma versão mais elaborada de sua teoria, se quiser). então queria contar para vocês qual é a descomunal questão epistemológica quase filosófica com que me deparo ao estudar meu pequeno-grande tema sobre classes sociais, porque esse é um assunto que encontro na raiz de tantos mal-e-meio-entendidos em tantas discussões nas ciências sociais e nas mesas de bar.

minha principal conclusão ao estudar as teorias sobre classes sociais é que o problema de fundo quando se busca uma definição das relações de classe é que a realidade é constituída de duas dimensões: uma objetiva, que independe das percepções e do conhecimento dos agentes; e outra construída, que abarca as representações dos agentes sobre o mundo social. a dificuldade que essa dupla constituição da realidade social cria para uma teoria vem do fato de que essas duas dimensões não são coincidentes, não se correspondem imediatamente, porque entre as coisas e seus nomes há um grande espaço para manipulações e interpretações.
daí a debilidade de qualquer teoria de classes que se mantenha na apreensão da dimensão objetiva das relações de classe, definindo critérios capazes de especificar quem está fora e quem está dentro de determinada classe. não é possível falar das fronteiras entre quaisquer grupos sociais sem considerar como essas fronteiras são simbolicamente construídas na sociedade. não basta dizer como é o mundo aí, porque esse mundo aí só tem valor explicativo em função de como é elaborado pela percepção dos agentes que participam dele.
e quando digo percepção dos agentes é preciso incluir a influência das próprias teorias, que se apresentam como autorizadas a dizer o que é o mundo social. nesse sentido, é possível dizer que o marxismo – sua interpretação sobre a sociedade capitalista – contribuiu para criar o proletariado. claro que as percepções e conhecimentos não podem ser completas alucinações, mas devem estar referidas em alguma medida à dimensão objetiva, que, no entanto, é um limite bastante amplo para a elaboração lingüística e semântica.

quem acha que tá confuso?

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