16.9.07

determinismo lingüístico?

os limites da sua linguagem denotam os limites do seu mundo”, essa é uma idéia que carrego comigo desde o colegial, não me lembro mais de como chegou até mim, mas recordo bem que teve o efeito de uma revelação. a frase é do Wittgenstein, um filósofo austríaco que muitos pós-modernos gostam de citar, não conheço nada sobre ele além de que discutia filosofia da linguagem e epistemologia, ou seja, nada mesmo (logo, a forma como eu absorvi essa frase pode não ter absolutamente nenhuma relação com o que o autor queria dizer, é sempre o problema das frases descontextualizadas, mas de fato me interessa pouco o que ele queria dizer, quero comentar o que a frase me faz pensar).

essa frase me diz sobre o poder das palavras em moldar nossa percepção do mundo. sabem, olho para mim e percebo que estou sempre lutando contra as palavras, esticando-as na direção em que preciso que elas me legitimem ou encurtando-as para que não expressem mais do que o conveniente. aqui mesmo no blog, já distendi o “nu”, aparei as “classes sociais”, extingui o “amor” e até retalhei o “sexo” (não é consciente não, dei-me conta agora). não é preciosismo, é que as palavras são nossos anteolhos, iluminam somente até os limites do que designam, cegando-nos para o que não significam. se você não tem a palavra – que carrega um conceito – “capitalismo” no seu vocabulário, ele não existe para você, por mais que exista uma realidade aí cujo fim único seja a acumulação. tanto é assim que desafio alguém a encontrar essa palavrinha em qualquer meio de comunicação de massa. se as palavras fossem inofensivas, não haveria uma disputa em torno do vocabulário que pode ser usado, porque as palavras permitidas – e suas definições – já definem o que pode ser pensado.

Um comentário:

Anônimo disse...

Que Linda sua reflexão Luciana!!! E muito coerente tb...estou fazendo um trabalho sobre Relativismo e Determinismo linguístico, gostaria de poder usar seu texto para ilustrá-lo...na verdade ainda não sei até q ponto minhas conclusões estão de acordo com seu pensamento, mas sua fala foi mt poética e me inspirou...