30.11.07

sexo, religião e psicanálise

Foi um padre que me disse que o Freud, de algum jeito lá no pensamento dele, atribui ao sexo o papel de principal objeto lírico da personalidade.

Que é um argumento importante eu não tinha a menor dúvida, a gente nasce de uma foda e cria dando trepada. Que o bagulho gostoso que a gente tem entre as pernas é gostoso é verdade.

Daí o cara lá nos quase cinqüenta anos, que não é padre, é pastor – desculpem -, indica que o prazer e a culpa estão conectados...

E aí eu digo que não, é que isso tem muito a ver com a religião cristã.

E aí ele diz sereno e indistinto que todos nós assimilamos formas de repressão.

Pra fora e pra dentro. Pra dentro e pra fora (coro)

E, entre as idéias lá do Freud e a prática no divã, as coisas mudam de figura. Ninguém tá lá pra ser salvo do mal da humanidade, mas pra conviver com as merdas que você ganhou sabe-se de lá quem, ou melhor, a gente sabe, dos pais, dos avôs, dos filhos, de todo peso da tradição & rituais afins e da gente, óbvio. Que tudo isso você me indica que vem de Deus o todo criador.

Aí no meio do enquanto - pensava no que dependia do sexo afinal - a sentença:

Sua barriga pode ser gigante. Seus olhos podem ser cansados. Seu pau pode ser enorme. Seu cérebro atrofiado. Conviva com isso, meu filho.


29.11.07

Brasília não é uma festa

brasília é uma cidade anti-gente. aliás, brasília não parece uma cidade, porque nela não pulsa a urbanidade tecida pelo vaivém dos transeuntes. as pessoas são escassas em brasília, pelo menos a céu aberto.
a amplitude do espaço é opressiva: a distância que o olhar alcança não pode ser vencida pelas pernas. as largas avenidas sem calçadas avisam ao recém-chegado qual é o meio adequado ao movimento.
brasília é o delírio modernista do controle absoluto, não deixa espaço para que o inconsciente da cidade se expresse em alguma
esquina, até porque, para não abrir a possibilidade de surpresas, não há esquinas. quilômetros são percorridos sem que a paisagem se transforme. a cidade plasma-se na retina como uma sucessão de caixas de fósforo de concreto, todas iguais: mesma tonalidade, mesma altura, mesmas janelas quadradas sem sacadas. moro na 615 sul, quadra B. um mundo assustador digno de orwell.

finalmente a deia

Que tal o cartaz?
dias 15, 16 e 17 de dezembro, eu vou me fingir de atriz, encenando esta peça ai, adapatada do Guimarães. vocês, meus queridos amiguinhos, é lógico que já estão convidados. ia ser bom se pudessem ir, mas eu não sei bem como recomendar o espetáculo. com ceretza vocês nunca viram algo parecido, mas o que vão achar do que assistirão ....
bem manerem nas críticas da peça, tá! mas podem dizer de verdade o que acharam do cartaz, que ainda é provisório.
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Da inauguração no blog.
pelo tempo que isso demorou pra acontecer, acho que eu acho bem difícil escrever pra vocês viu! e ainda, a isso, se deveria somar uma fase de total falta vontade de falar, triplicada no que diz respeito a falar por escritos, mesmo que pra vocês. fase que eu não sei se está passando. talvez sim. mas não se animem muito, não! a julgar por essa minha inauguração por aqui, já devem ter podido notar que essa vontade de me 'comunicar' que está vindo não quer mesmo dizer ter algo muito super fabuloso pra mostrar. é mais só uma vontade de contar. e sobre isso eu quis contar pra vocês e saber da opinião de vocês. foi aí que, para mim, o blog desapareceu como uma obrigação de dívida não cumprida e pareceu legal!

Dizer absolutamente nada é uma forma de Arte? Não

Ainda agora, agora neste minuto, eu tentava respirar. Erguer a cabeça pra fora, inflar o peito de ar, expirar em seguida.

Sempre há um passo. Sempre um passo atrás.

Estar a todo tempo assim, a cada momento, aprendendo algo novo - de novo - é constrangedor, por que me entrego, dando a ver a mim mesmo o quanto ignoro. E já não é mais tempo de pensar. Se você não toma o bonde da vida, ele te atropela. Sacou?

Dexei de molhar a cama aos sete anos. Talvez seja mal hábito de criança, este de não saber crescer. Ainda bem que poesia, que música também, ainda bem, há.

Mas ainda, o que há de se fazer? Além de seguir. Afinal, há tanto por fazer, que me canso antes de começar.

Mas hoje, ainda, como ontem também, tomo o dia como parque de diversões, paro diante da aparente estaticidade do mundo – aqui do décima andar – e começo a escrever, pois afinal, o que resta a fazer?

Muito alías, daqui a pouco, pois não se deve deixar nada para mais tarde.

Ontem eu quase chorei. Quase(o que é um avanço).

Viva o Dia das Crianças,

(aqui em casa pelo menos, todo dia é Dia das Crianças)

20.11.07

Uma cena

Feriado. Muitas pernas cruzam a pequena cidade que insiste em afirmar uma autenticidade um tanto quanto postiça. Vieram para o circo das vaidades e das convenções armado com dinheiro público.
No quarto de hotel barato, a escuridão que entra pela janela trava um combate com a opaca luz da única lâmpada. Do banheiro, propagam-se os estalos dos pingos arremessados compassadamente pelo chuveiro enferrujado. O menino-homem tenta dissolver o nervosismo repetindo em voz alta palavras tão antigas como a pequena cidade. É preciso dizê-las até que soem naturais e comuniquem uma intimidade convincente. No quarto ao lado, a voz da Fátima Bernardes anuncia em tom corriqueiro a perseguição assassina aos “criminosos” de uma favela latino-americana. Outras vozes se encontram lá embaixo na calçada. Quanto tempo. Não parecem sinceras. Que bom te achar por aqui. Parabéns pelo artigo. Cumprem seus papéis. Vamos combinar qualquer coisa para qualquer dia e tal. E a voz do menino-homem segue ainda com as mesmas palavras obscuras.
O silêncio vai surgindo aos poucos, junto com o apagar das luzes das janelas vizinhas. O menino-homem resiste pouco e apaga sua lâmpada também. A quietude da madrugada deixa então se mexer o desconforto, já conhecido, já esquadrinhado, que apenas vem com a roupa nova da ocasião.

18.11.07


pra quem estiver um pouco cansado da vista e quiser alguém que te dê uma paisagem, nada melhor que poesia... Esta aí vai ficando boa com o tempo.

The Love Song...



contexto