Ser tão assustador e delicado quanto os instantes que antecedem a tempestade.
Ser ira sem ódio, a violência invisível. Livre fluxo impiedoso, silenciosamente, desmembrando seres, curvando árvores, turvando rios. Onda invisível carregando tudo. Colapso anônimo da realidade. Força incessante, sem fim, nem meio. Pura.
Eu acordei no meio da noite. Eu vi só a tempestadade se formando. Eu quis que ela não acabasse, contra o céu purpura, tive o rosto tocado. Eu quis tombar. Eu quis ser levado sem dor. Simples. Desaparecer. Sem túmulo, sem terra por cima, sem lembrança, sem fim.
12.8.08
10.8.08
Há alguns anos atrás, aprendi a gostar de música erudita. Aprender, não no sentido negativo da educação formal, não no sentido de me forçar a me adequar a um padrão socialmente imposto. Aprendi, no único sentido que eu gostaria que existisse: o de sermos tocados por uma nova experiência(intelectual, física, emocional, que seja!), e permitir que ela nos transforme.
Ou seja, ir além do conhecimento do objeto, além desse contato racional, que não apreende sem julgar. E que julga, cotejando o novo àqueles nossos caros, e lentamente lapidados(em alguns casos), pressupostos.
Digo ir além, não abandonar o conhecimento do objeto, mas ir além dele, e permitir a plena manifestação do novo, permitir que o novo, sem julgar, reilumine os nossos antigos pressupostos. Digo reiluminar e não julgar, porque o julgamento, como o entendo, leva a uma decisão do tipo preservar o bom, descartar o mau. Enquanto a reiluminação tudo abarca e resignifica. O aprendizado como transformação, para mim é isso: as mesmas coisas, mas completamente diferentes. No aprendizado não há abandono de velhos paradigmas, não há superação, mas sempre resignificação, ou melhor, sobre-significação. Porque não é como refazer, em que desmanchamos o antigo para dar forma ao novo, mas sobre-fazer, mantemos o antigo, do qual nasce o novo. Uma experiência nova não no sentido de inédita, de nunca experimentada antes. A música erudita não é nova, nem foi a primeira vez que tive a oportunidade de escutá-la. Mas, eu escutar música erudita naquele momento, foi uma experiência nova, para mim.
Bom, mas eu dizia, que há alguns anos atrás, aprendi a gostar de música erudita. Mas não gostava de canto lírico. Diferente da música instrumental, o canto não reverberava nas minhas entranhas, não expandia meu universo de sensações.
Duas semanas atrás, eu havia chegado ao limite entre a angústia e o desespero (supondo que a angústia preceda o desespero). Tinha-me pesado e exausto, esgotado todas as fugas que a realidade me permite. Mudo e anestesiado. Com aquela sensação de grito contido. Me sentia assim, quando encontrei a Paixão Segundo São Mateus(do Bach). Sempre gostei dela, e senti a necessidade de escutá-la. Sem intenção de prestar atenção, coloquei pra tocar, enquanto organizava os CDs aqui de casa. Aos poucos, fui deixando os CDs de lado. Fui me entregando a música. Cada vez mais, a medida em que sentia o peso do mundo se dissolvendo dentro de mim, lentamente, derretendo sob o calor pacífico da melodia. Até que, com a entrada de uma ária, que não sei qual é, uma voz masculina e aveludada desliza para dentro, e, de uma vez, despeja pra fora todo o meu sofrimento. Começo a chorar, convulsivamente, choro toda a beleza do mundo, toda a distância que me separa dela. Choro os meus sofrimentos, a idéia da morte e a espera por ela.
Ou seja, ir além do conhecimento do objeto, além desse contato racional, que não apreende sem julgar. E que julga, cotejando o novo àqueles nossos caros, e lentamente lapidados(em alguns casos), pressupostos.
Digo ir além, não abandonar o conhecimento do objeto, mas ir além dele, e permitir a plena manifestação do novo, permitir que o novo, sem julgar, reilumine os nossos antigos pressupostos. Digo reiluminar e não julgar, porque o julgamento, como o entendo, leva a uma decisão do tipo preservar o bom, descartar o mau. Enquanto a reiluminação tudo abarca e resignifica. O aprendizado como transformação, para mim é isso: as mesmas coisas, mas completamente diferentes. No aprendizado não há abandono de velhos paradigmas, não há superação, mas sempre resignificação, ou melhor, sobre-significação. Porque não é como refazer, em que desmanchamos o antigo para dar forma ao novo, mas sobre-fazer, mantemos o antigo, do qual nasce o novo. Uma experiência nova não no sentido de inédita, de nunca experimentada antes. A música erudita não é nova, nem foi a primeira vez que tive a oportunidade de escutá-la. Mas, eu escutar música erudita naquele momento, foi uma experiência nova, para mim.
Bom, mas eu dizia, que há alguns anos atrás, aprendi a gostar de música erudita. Mas não gostava de canto lírico. Diferente da música instrumental, o canto não reverberava nas minhas entranhas, não expandia meu universo de sensações.
Duas semanas atrás, eu havia chegado ao limite entre a angústia e o desespero (supondo que a angústia preceda o desespero). Tinha-me pesado e exausto, esgotado todas as fugas que a realidade me permite. Mudo e anestesiado. Com aquela sensação de grito contido. Me sentia assim, quando encontrei a Paixão Segundo São Mateus(do Bach). Sempre gostei dela, e senti a necessidade de escutá-la. Sem intenção de prestar atenção, coloquei pra tocar, enquanto organizava os CDs aqui de casa. Aos poucos, fui deixando os CDs de lado. Fui me entregando a música. Cada vez mais, a medida em que sentia o peso do mundo se dissolvendo dentro de mim, lentamente, derretendo sob o calor pacífico da melodia. Até que, com a entrada de uma ária, que não sei qual é, uma voz masculina e aveludada desliza para dentro, e, de uma vez, despeja pra fora todo o meu sofrimento. Começo a chorar, convulsivamente, choro toda a beleza do mundo, toda a distância que me separa dela. Choro os meus sofrimentos, a idéia da morte e a espera por ela.
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