2.1.08

comentário tardio da Descoberta

O narrador é onisciente e o personagem é um fracassado. Também não chora com facilidade. E pensa mais do que devia.

Do outro lado o pai. Parece ser o primeiro e mais importante elemento desencadeador da emoção. O velho que nunca fora tão interessante em vida agora, morrendo, desperta um o quê tardio, que de alguma forma sei lá qual, aponta para o destino do filho. A mãe é vazia, nem o acidente trouxe qualquer estalo, tanto no personagem, quanto no narrador, que é o guia aqui.

A referencia óbvia é o machado de assis, mas tem três coisas que me lembram do camus, mais especificamente do estrangeiro. Uma é a baixa oscilação emotiva dos atos. A outra é o momento em que ocorreu a grande decisão , no calor excessivo das picadas de pernilongo. E três, a solidão.

A narrativa é toda tradicional, como se o livro tivesse sido escrito no século retrasado, ou pelo menos antes de guimarães.

Minha parte favorita é a da situação opressora de reconsiderar seus sonhos. É o peso que a liberdade coloca nas costas justamente por não se ter entraves para ir em frente. Só não sei se isso é trágico ou não.

Um comentário:

Renato M. disse...

Brigado, pela generosidade.