7.5.08

Que silêncio vazio é esse?(do nosso blog)

Existe o silêncio e o vazio dos filmes do Sergio Leone. Como em Era uma vez no Oeste, carregados de antecipação, contagem regressiva para algum acontecimento espetacular, essa preparação dos sentidos que ao mesmo tempo nos desarma, para poder em seguida nos pegar de surpresa.

Existe o silêncio e o vazio dos filmes do Tarkovsky, ruído quase insuportável, representação definitiva do tempo como densidade viva, como força da natureza que a tudo carrega e apodrece, a todos diminui e iguá-la. do tempo como medida da insignificância da vida.

Existe o silêncio e o vazio do Kurosawa, lugar de interrupção do próprio tempo, de intervalo para a existência da imagem bruta, parênteses entre idéias, em que a imagem tenta revelar ao espectador sua materialidade, sua artificialidade, porque apenas assim - como a textura das tintas nos quadros de Van Gogh - é que ela pode transmitir a vida da obra. Veja bem, que para Kurosawa, assim como para Van Gogh, não se trata de convencer-nos de que a obra transmite, alcança, toca a vida, mas apenas de mostrar que na própria obra há, de fato, vida - a vida do artista que a produziu. A vida na forma de matéria trabalhada por um ente vivo.

Existe o silêncio e o vazio dos filmes do Bergman.....

5.4.08

O Pedrão é meio que super dotado, apesar de ter síndrome de down. Ele lembra a data de aniversário do irmão, ele gosta de rap e hiphop e ele lê e entende quase que melhor do que um aluno normal ruinzinho, como a Sara, que é chata e teimosa que dói. O Pedrão gosta de participar das aulas e faz as mesmas tarefas que os alunos normais. Ontem ele participou da aula e disse “vamos supor que”... O que ele supôs eu nem me lembro, porque me espantou o fato dele saber o que significa supor. Todos os outros downs que eu conheço jamais saberão. A Layla, por exemplo, esqueceu a data do próprio aniversário. O outro, o Pepê, ainda peida dentro da classe e fica quieto como se não tivesse sido ele. O Pedrão não, o Pedrão improvisa rap antes da aula começar, no meio da quadra, cantando, gesticulando e dançando. Ele não se importa com a platéia, ele não se importa se zombam dele ou não. Daí depois eu fui perguntar como é que ele gosta de rap. Daí ele falou que ouve no rádio. A rádio mix, cento e seis ponto alguma coisa, eu esqueci. Ele faz fono, tem professor particular, não gosta muito da terapeuta, faz inglês e natação. E o que você quer ser quando crescer? Eu quero lutar boxe profissionalmente. Ele é mais inteligente que a gente, acho.

15.3.08

Verdade e perfeição

Estripar-me! Se estripares hoje, consisto em que amanhã me salgues e depois me comas. Com os demônios! Já era tempo de fingir de morto, antes que esse escocês turbulento me livrasse das dívidas. Fingir, minto; não fingi coisa alguma. Morrer é que é fingimento, porque quem não tem vida de homem, não passa de fingimento de homem; mas, fingir de morto para conservar a vida, não é fingir a imagem da vida, senão representá-la com verdade e perfeição.(Falstaff em Henrique IV)

saudades

Bom, bom. Bom. Duas horas da manhã.
Amigos.(Luís, Marcela, Andréia, Luciana). Amo todos vocês.
Luís: logo, logo, venha pra SP. Tô sem tempo, mas e daí. Cadê vc!?!
Marcela: apesar do mal-entendido, queria falar com você. Não me esqueço. E vc?
Andréia: nunca vou escrever o seu nome certo, mesmo assim, você foi a única que me ligou, sabia? Seu amigo, seu, eu.
Luciana: sumida, traidora, sinto sua falta.
Olha.

14.3.08

olha o texto do aluno de dez anos

Ela viu a porta e um ladrão estrupou ela quando ele estava terminando ela falou:
- ahhh mais mais
Ele fugiu e deu um tiro nela, e ela falou:
- seu otário!
E ele respondeu:
- te como atrás do armario.
E ela respondeu:
- Só se for agora
E ele falou.
- Estabem
E fizeram sexo o dia inteiro, e a mãe dela chegou e ela falou:
- um pinto duro.
E ela deu o cú e chupou o pinto dele e depois fizeram suruba.
E quando terminou ele deu um tiro nelas e ele perdeu o pinto de tanto a mãe da menina chupou.

29.2.08

Bang Bang

I was five and he was six
]We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He would always win the fight
Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down.

Seasons came and changed the time
When I grew up, I called him mine
He would always laugh and say"Remember when we used to play?"
Bang bang, I shot you down
Bang bang, you hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, I used to shoot you down.

Music played, and people sang
Just for me, the church bells rang.
Now he's gone, I don't know why
And till this day, sometimes I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie.
Bang bang, he shot me downBang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful soundBang bang, my baby shot me down...