30.9.10

Entrevista com Adorno sobre a minha empreitada como empresário

Renato: Estou angustiado com a possibilidade do fracasso da minha futura empresa. O que eu posso fazer contra essa angústia?
Adorno: A angústia não deve ser reprimida. Deve-se saber conviver com a angústia, o estranho dentro de si mesmo. O sujeito que não precisa mais recalcar a angústia pode se tornar verdadeiramente autônomo, num sentido preciso: ele tampouco precisa de projeções e identificações tranquilizantes. Não precisa mais nem de heróis nem de chefes. Porque sabe de sua fragilidade primeira, tem força suficiente para resistir aos apelos totalitários das ilusões identificatórias e secundárias. Ele "não se deixa levar", ele "não vai junto", ele não se torna cúmplice.

Renato: Como o pensamento filosófico pode ajudar a minha empresa a prosperar?
Adorno: Contra a voracidade e o ativismo embrutecedores, o pensamento filosófico acolhe o objeto antes de querer subjugá-lo. Neste sentido, o pensamento é preciosamente passivo e mimético, paciente, porque espera sem impor. Tal paciência é a fonte secreta da resistência do pensamento à violência do existente; só dela, dessa paciência e dessa espera(dessa não-pressa) nascem a coragem e a aceitação do risco.
Pensar filoficamente é como que pensar por intermitências, ser perturbado por aquilo que o pensamento não é. A força do pensar é a força da resistência contra o previamente pensado.
Somente um pensar que saiba de sua passividade primeira, que tenha a virtude da paciência, um pensar que reconheça essa dimensão de sofrimento e de corporeidade até no próprio pensamento, somente este pensar paciente poderá também, sem falso orgulho, resistir ao existente e correr os riscos do desconhecido.

Renato: Muito obrigado Adorno pelos seus sábios conselhos. É realmente disso que preciso: suportar minha angústia do fracasso, tomar coragem e aceitar correr novos riscos.

Adorno: Não há de que, Renato! Saiba que estou sempre a disposição de sua brilhantíssima pessoa

(copiado/baseado na coletânea de artigos - "Lembrar escrever esquecer" - da Jeanne Marie Gagnebin sobre Adorno)

7.9.10

amor fati ou do lance de dados da vida

um oráculo de sócrates:
"tal como quando se lançam os dados, assim devemos endireitar as nossas próprias posições, de acordo com o que saiu (...) e, se nos baterem, não devemos fazer como as crianças que levam a mão ao local da pancada e perdem o tempo a gritar" (a república, 604d).

[nota de rodapé quase desnecessária: sei não se isso não se parece com a crítica de nietzsche ao ressentido. humm, nietzsche fechando com platão. será? ando no encalço dessa intuição controversa.]

From www.advivo.com.br

O 5 de Setembro da Folha

O Biscoito fino e a Massa

(faltou o link)

#DilmaFactsbyFolha: Crônica da Desmoralização de um Jornal

Escrito por Idelber

Muita gente costuma dizer que o século XVIII terminou em 1789, que o século XIX terminou em 1914 e que o século XX terminou em 1991 (ou em 11/09/2001, segundo como se veja a coisa). Claro que não são afirmações a serem tomadas literalmente. São alegorias do movimento real da história.

É neste sentido, alegórico, não literal, que poderíamos dizer que no dia 05 de setembro de 2010, o jornal Folha de São Paulo morreu no Twitter. Continuará existindo, claro, enquanto suas fontes de financiamento permitirem e enquanto existirem jornalistas dispostos, ou obrigados por necessidade, a se submeter àquilo. Mas ele morreu como veículo de comunicação ao qual se possa atribuir um mínimo farrapo de credibilidade.

O mote foi a assombrosamente mentirosa manchete de ontem, que não guardava qualquer relação com a verdade, ou sequer com a própria matéria: Consumidor pagou R$ 1 bi por falha de Dilma. Quem sabe ABC sobre política, concluiu na hora: a manchete não tinha nada a ver com informação. Era algo para Serra usar em seu programa. Como o jornal morreu, não tem sentido refutá-lo com fatos. Dilma já o fez com elegância: (ver vídeo com resposta da Dilma no blog O Biscoito fino e a Massa)

No meio da tarde de ontem, o Flávio Gomes, especialista em automobilismo, lançou esta, a partir de uma tuitada do @eduu27: Vamos criar o #DilmaFactsByFolha. "Dilma serviu o café de Ronaldo no dia da final da Copa de 1998" via @eduu27. Logo a Cynara Menezes, este atleticano blogueiro e outros tuiteiros começamos a elaborar possíveis manchetes para que a Folha servisse de bandeja ao programa eleitoral do Serra. Sucediam-se hilárias tuitadas como:

@flaviogomes69: Dilma a padre no Sul: "Enche os balõezinhos que dá". #DilmaFactsByFolha

@Lau_Roces A Al-Qaeda era só um grupo de árabes nerds fãs de RPG e aeromodelismo. Até conhecerem a Dilma. #DilmaFactsbyFolha

@alexcastrolll Antes de Dilma mergulhar no Mar Morto, ele não estava nem doente! #DilmaFactsByFolha (...)

(...) (ver texto completo no O Biscoito fino e a Massa)

(...) Para quem não conhece o Twitter: o caractere #, quando anteposto a qualquer palavra, a transforma numa "hashtag", ou seja, num link que te permite encontrar todas as outras mensagens com o mesmo assunto, desde que o internauta se lembre de incluir o # colado à palavra. Programas como oTweetdeck te permitem ler ao mesmo tempo, em três colunas, as atualizações daqueles a quem tu segues, as menções a ti mesmo por qualquer pessoa e todas as tuitadas que incluem uma determinada hashtag. Eu recomendo.

Em um par de horas, as tuitadas se sucediam numa velocidade frenética, que leitor nenhum conseguia ler na totalidade, com alusões a tudo, desde o Gênesis (Dilma criou intrigas entre Abel e Caim, por exemplo) até a Copa de 50 (Dilma levantou a saia e atrapalhou o goleiro Barbosa). Sem nenhuma coordenação, de forma espontânea e anárquica, sem qualquer orientação da campanha de Dilma ou participação de sua coordenação de internet, o #DilmafactsbyFolha ia subindo nos Trending Topics (a ferramenta que mede a popularidade de um determinado tema no Twitter) até chegar ao topo dos TT brasileiros e ao segundo lugar dos TTs mundiais. O importante site What the Trend repercutiu, com matéria em inglês. No começo da noite, eu já recebia emails de amigos norte-americanos e até o telefonema de um jornal dos EUA, perguntando: What's #DilmaFactsbyFolha?

Era a Folha de São Paulo internacionalmente humilhada no Twitter.

Evidentemente, a desonestidade da Folha permite que, na edição de segunda-feira, ela tenha ignorado dezenas ou centenas de milhares de tuitadas que correram o mundo virtual e foram comentadas em redações até aqui nos EUA, mas fizesse alusão a um tuíte de Roberto Jefferson. Tanta distração só pode ser culpa da Dilma.

PS: Se, depois desta, tu ainda não te animas a fazer uma conta no Twitter, eu não sei o que te dizer. Além de usar esta caixa para comentar o que queiras, façamos também duas coisas: selecionar alguns dos tuítes favoritos dos leitores do Biscoito (é só clicar na tag e ir descendo a página) e dirimir dúvidas para quem quer se juntar ao microblog e ainda não sabe como ele funciona. Se você ainda não me segue no Twitter, é só ir lá e clicar no "follow". Estou circulando notícias da campanha com certa regularidade por lá.

Atualização: Para a seleção de tuítes citada acima, contei com o auxílio luxuoso de Alex Castro. Valeu.

Nosso último encontro foi legal, não foi? Eu achei que foi.
Depois, dormi na casa do Luís, que não é mais casa, é apartamento, e que não é mais do Luís, mas dos pais dele.
Eu gosto da casa dos outros. De acordar no meio de uma intimidade que não é minha. Me incomoda menos o status de intruso, do que me agrada ver as pessoas menos escondidas.
Gosto de olhar para as coisas e para as pessoas não por seus valores aparentes, mas pelas relações que estabelecem entre si.
A casa dos pais do Luís é assim:
O quarto em que dormi, fica no final de um corredor, que termina em T, do lado direito, o "meu" quarto, em frente, outro. Ao sair do quarto, a um metro e meio de distância, vi a mãe, meio curvada meio agachada, ajeitando a colcha da cama de casal. Ela se levantou para me cumprimentar, e recebi um sorridente bom dia. Sorrisos ao acordar são gostosos, não são?
A sala está na base do T, antes dela, há ainda o quarto da avó do Luis, que durante o café, a pedido do neto, sentou-se a mesa para conversar um pouco.
A avó do Luis tem o rosto mais enrugado que já vi, olhinhos azuis redondos e brilhantes, e bochechas fofas cor de rosa. Um jeito de imaginá-la é pensar num bebê que envelheceu antes de crescer. Seu cabelo é curto, volumoso e liso, de um branco bem branco, mas um branco brilhante, quase metálico. Me lembrei, sempre me lembro, da história de que ainda na Russia, ela andava descalça na neve. Então imagino ela jovem, com seu rosto de bebê sendo castigado primeiro pelo frio russo e depois pelo calor campineiro, e sendo obrigado a se proteger, pouco a pouco se encolhendo em si mesmo, se enrugando, todos os dias, um pouco, até virar uma ameixa leitosa e rosada. Ela também sorri. O Luis sorri? Não sei, perto da avó, ele é quase cinza, de tão acostumado que estou com a sua cara.
O Luis é igual ao pai dele, só que menos barrigudo e com o cabelo mais comprido. O pai dele o chama de Luisão e guarda recortes de jornal para o filhão. É assim eu acho, pais são pais, sorriem menos, e inventam estratégias constrangedoras na tentativa de demonstrar carinho. Recortes de jornal, por exemplo, ou conselhos sobre o seu carro. Pais são assim meio indiretos. E talvez por isso, achamos serem mais difíceis de conquistar e nos esforçamos mais para agradar.





5.9.10

el tango!

O tango é um pensamento triste que se pode dançar.
Discépolo. Poeta, compositor, ator e autor de peças de teatro e de letras de tngo argentino.



vídeos da aula de tango pra vocês, camaradas:
NOCTURNO, HISTORIA DE LA NOCHE PORTEÑA / EL TANGO


País: Argentina
Duração:00:23:00
Diretor:Adrián Cossettini

Sinopse
DO EPISÓDIO: A história e o presente do tango, autêntica expressão artística argentina seja como dança, música ou poesia.

4.9.10

Decubra o tucano que existe em você


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Plínio 45%
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