Nos instantes em que leio o seu trabalho, e tomo conhecimento de que existe em algum lugar, ao menos um pessoa, que aceita a sua sinceridade, assim despretensiosa, assim livre de segundas intenções, pareço reconhecer um cheiro no ar. Aspiro algo que se parece com esperança.
Mas não demora muito, ele passa. Volta o cheiro de queimado. Serão os meus cabelos? Que não resistiram à vizinhança da minha mente? Se suicidaram? Enfim, uma chicotada da razão recoloca esse tipo de situação na gaveta das exceções. Que servem para que as contemplemos antes de dormir, na expectativa de que elas nos visitem em sonhos.
Daí me lembro da Insustentável Leveza do Ser. Logo no começinho, em que abordando a idéia Nietzschiana do Eterno Retorno, ele se pergunta se uma coisa que acontece uma única vez realmente aconteceu. Se uma única vez não é nada. Vocês se lembram, ele prossegue para questionar a espessura da experiência humana, eu não to querendo ir tão longe. Quero só me referir a essa idéia dele de comparar os acontecimentos da nossa vida, atento a suas relações de proporção.
Coisas boas, como a possibilidade de uma comunicação sincera entre duas pessoas, sim, acontecem. Mas, quantas vezes elas precisam acontecer para que elas passem a existir? Para que elas tenham algum peso na nossa existência?
Ultimamente, tenho vivido uma sucessão de acontecimentos que apenas reafirmam a natureza abjeta dos seres humanos: a ganância, a falsidade, a exploração, enfim. Ando meio puto com essas coisas, como tantas pessoas no mundo parecem estar a espreita, prontos para te fuder. Nos obrigando a manter a guarda, aprender a nos defender. Talvez seja a vida em São Paulo, mas eu temo que não. Essa na verdade anda sendo a minha sensação do mundo...
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