29.2.08
Bang Bang
]We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He would always win the fight
Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down.
Seasons came and changed the time
When I grew up, I called him mine
He would always laugh and say"Remember when we used to play?"
Bang bang, I shot you down
Bang bang, you hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, I used to shoot you down.
Music played, and people sang
Just for me, the church bells rang.
Now he's gone, I don't know why
And till this day, sometimes I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie.
Bang bang, he shot me downBang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful soundBang bang, my baby shot me down...
25.2.08
12.2.08
Desinspiração
Mas não demora muito, ele passa. Volta o cheiro de queimado. Serão os meus cabelos? Que não resistiram à vizinhança da minha mente? Se suicidaram? Enfim, uma chicotada da razão recoloca esse tipo de situação na gaveta das exceções. Que servem para que as contemplemos antes de dormir, na expectativa de que elas nos visitem em sonhos.
Daí me lembro da Insustentável Leveza do Ser. Logo no começinho, em que abordando a idéia Nietzschiana do Eterno Retorno, ele se pergunta se uma coisa que acontece uma única vez realmente aconteceu. Se uma única vez não é nada. Vocês se lembram, ele prossegue para questionar a espessura da experiência humana, eu não to querendo ir tão longe. Quero só me referir a essa idéia dele de comparar os acontecimentos da nossa vida, atento a suas relações de proporção.
Coisas boas, como a possibilidade de uma comunicação sincera entre duas pessoas, sim, acontecem. Mas, quantas vezes elas precisam acontecer para que elas passem a existir? Para que elas tenham algum peso na nossa existência?
Ultimamente, tenho vivido uma sucessão de acontecimentos que apenas reafirmam a natureza abjeta dos seres humanos: a ganância, a falsidade, a exploração, enfim. Ando meio puto com essas coisas, como tantas pessoas no mundo parecem estar a espreita, prontos para te fuder. Nos obrigando a manter a guarda, aprender a nos defender. Talvez seja a vida em São Paulo, mas eu temo que não. Essa na verdade anda sendo a minha sensação do mundo...
Trabalhinho pra entregar
Aqui sem muita coisa pra fazer, tava reorganizando minhas pastas e encontrei um trabalho lá do mundo das Letras. Relendo assim, tenho a certeza de que fiz um grande bem em abandonar o mundo da economia. Atenção especial ao desleixo, à sinceridade e à liberdade intelectual. Tirei 7.
Luis Henrique Martins Junqueira
RA: 002058
TL510C
Mas não me entenda mal, não foi por má vontade nem por desinteresse pleno pelas obras, mas é que estou numa fase um tanto quanto inesperada que me consome boa parte dos meus sentimentos e reflexões. Não vou falar disso porque não importa, mas a performance deste trabalho será afetada porque não consigo focar por muito tempo sem lembrar da conjuntura da minha vida que está jogando emoções por todos os lados no meu corpo.
Pois bem, não consigo nem decidir se faço sobre Shelley ou sobre o Poe, acho que os contos me interessaram um pouco mais, não sei, eles têm uma dimensão bem variada, enquanto o Frankenstein é muito mais dinâmico, fácil de ser lido e escrito com bastante simplicidade, apesar da profundidade das questões por trás da metáfora do monstro. Mas acho que prefiro falar do Poe mesmo, ele me pareceu, como escritor, muito mais interessante. É, é isso, vou falar sobre os motivos pelos quais acredito que a leitura dos contos me pareceu mais profunda.
Antes de tudo, não posso defender este achismo através de minhas emoções porque não senti nada enquanto lia - fora, às vezes, um interesse qualquer por alguma passagem-, mas posso tentar explicitar, talvez, o cuidado com que Poe escreve. Ele, de fato, transparece na escrita aquilo que foi dito em aula da inversão no modo de construir arte, de compor tudo aos poucos, delimitando o território do enredo, do cenário e dos personagens com a consciência de que se trata de uma construção puramente abstrata antes de ser colocada no papel, como trabalho final. A descrição profunda do conto da Ligéia, os enigmas do escaravelho, as reflexões extremamente cuidadosas do Dupin demonstram isso, um cuidado. Diferente, talvez, do Frankenstein que tem um narrador que conta uma história de uma maneira direta, de modo bem simples mesmo. Na minha pressa ao ler, foi muito mais fácil acompanhar a história de Shelley do que os contos, que exigem do leitor um carinho maior. É essa transparência do cuidado que defendo, uma preocupação com o leitor. Parece que Poe constrói toda sua obra artística com a consciência plena de que aquilo será lido por alguém, o que acarreta um grau de complexidade mais elevado.
Não quero começar a discutir o complexo e o simples e todos os juízos a partir disso. Normalmente, eu até prefiro o simples ao que é extremamente complexo, mesmo porque não acho que posso discutir isso sem levar em consideração que o Frankenstein é um clássico de muito maior relevo do que as obras de Poe, não sei. Não vou abrir este ponto de discussão porque, sem dúvida vou me contradizer e, sem dúvida de novo, não vou chegar a nenhuma conclusão contundente.
Acho que as reflexões artísticas do Frankenstein estão mais ligadas à história em si do que a maneira como ela escreve. Pelo menos, nunca ouvi ninguém dizer que ela escreve bem. Não sei onde coloco isso, se é um mérito ou não. Talvez, o ideal seja unir uma história poderosa, como o Frankenstein é, ao um cuidado maior com as palavras, que sem dúvida o Poe tem. No poema do corvo isso me parece visível porque une essas duas coisas. Digo isso a partir de uma impressão porque até hoje não sei analisar com método o que é bem escrito e o que não é. Achei o Poe bem escrito. Não achei o Frankenstein lá muito bem escrito. Não queria basear toda minha ciência nisso porque estou cansado de acho aqui, acho ali. Às vezes tendo a concordar com o Pound, uma obra deve sim ser examinada como se tivesse sido colocada embaixo de um microscópio. Mas daí eu paro e penso, não, não, não é a partir desse prisma que todo o universo da arte se formou. Sim, uma parte tem de ser olhada assim, mas existem sentimentos artísticos que eu tenho quando leio, e eu tenho eu sei que tenho que parecem surgir de uma natureza puramente sentimental. Claro que o histórico das minhas reflexões contam, claro que a bagagem cultural que eu carrego conta, mas, lá, na hora que leio algo de que gosto, que aprecio, que muitas vezes me diz como se aquele poema só estivesse falando comigo, a carga vem do sentimento. E como analisar então um sentimento por um microscópio? Não sei, nem sei se é possível.
O problema é que esse romantismo, mais abstrato, mais fantástico, que mora no mundo dos sonhos se destaca da realidade e vai habitar um local diferente daquele do Stendhal, do Balzac, mais centrado nos acontecimentos objetivos do mundo. Completamente diferente. Parece que são duas formas de artes distintas que guardam apreciações diferentes. O sentimento de ler as aventuras do Julien são de outra natureza que as do Frankenstein. Uma se pauta no que acontece no dia-a-dia, na realidade do mundo, a outra mora num mundo completamente abstrato, que explica a parte onírica do ser humano. E o ser humano tem as duas. E as duas, sem dúvida, se misturam.
Então, como faço pra dizer com firmeza, tal obra é melhor que aquela? Quais os parâmetros que tenho que ter? Qual o peso que dou à minha individualidade para definir os limites das definições? Até que ponto a realidade social importa? Até que ponto as paixões do ser humano tem de ser retratadas? Não sei. Não sei. Às vezes, penso que tudo aquilo que amo na arte só pode definir o Meu conceito de arte. Então, até certo ponto, todas as minhas dúvidas e questionamentos e observações só dizem respeito ao meu conceito de arte e de mais ninguém.
Mas não, eu sei, não, existem apreciações que se assemelham, existem definições que explicam aquela essência do ser humano, aquele sei-lá-o-quê coletivo que todo mundo compartilha, mas não parece haver nenhum limite claro que separa o mundo do indivíduo do mundo coletivo no abstrato. Afinal, é óbvio que podemos classificar o momento histórico romântico no seu devido momento, apesar das obras nem estarem tão preocupados com a verossimilhança da história social.
Fico, então, num meio termo difícil de se sustentar: eu não sei o que é arte porque não sei de onde deve partir minha análise, se do fundo do meu peito ou se de todo um contexto coletivo e histórico. Se parto do fundo de mim, inevitavelmente o que me faz mais sentido são, sobretudo, o que há de recente na arte, pois já compartilho uma realidade semelhante com artistas contemporâneos. Se parto da realidade histórica, a minha alteridade é prejudicada pelo simples fato de eu fazer um esforço além do necessário para apreciar arte espontaneamente.
Mas, daí lembro das exceções à regra. Dizem que há Homero, que me fascina mas não entendo ainda. Dizem que há Shakespeare, que cada vez mais entra no meu mundo, apesar do longo tempo que nos separa. Mas como então, uma arte, feita séculos atrás pode fazer sentido para tanta gente? Uma coisa eu sei, essas pessoas estão acostumadas a ler no seu cotidiano, a refletir sobre a escrita, a pensar arte, a passar tempos preciosos e individuais em frente às letras. Se dermos Shakespeare pra qualquer iletrado, o efeito é nulo. Mas, no fundo, ler é uma das minhas prioridades na vida, apesar de nem fazer tanto isso. Mas daí, eu lembro que há vida fora de tudo isso e é isso que estou fazendo, vivendo, vivendo e os livros, agora, não me parecem fazer tanto sentido se comparo com a musa que eu achei na vida real, que eu posso pegar, cheirar e lamber, que eu achei que nem mais existisse pra mim fora dos livros, mas que nesses dias, sussurra no meu ouvido que um corpo quente e um pôr-do-sol contextualizado pode ser muito mais do que tudo isso que leio e escrevo. E agora, no auge dessa minha vida que eu achei que já estava amena, eu me importo um pouco menos com as questões intelectuais e um pouco mais com um afago de alguém que parece que me entende faz séculos mesmo estando há poucos dias ao meu lado.
Eis o verdadeiro problema: não discuto nada de relevante neste trabalho, mal fichei os textos que discuto e, enfim, valorizo o fato de eu estar apaixonado e sem culpa de deixar as questões do cotidiano de letras de lado, bem longe, lá longe de mim. Desculpe.

