Tendo sempre a ver a linguagem como potencializadora dos horizontes. Mas aqui agora verei como limitadora. Assim, pense no tempo. Daí logo já passa na nossa cabeça uma linha, que vai lá de longe do passado, numa origem obscura, incondicionalmente para frente, prum novo ponto também imprevisível. E tipo, que tempo é esse que a gente pensa? Como se fosse esse o tempo em que eu acredito na minha cabeça. E se não for assim? E se ele fosse todo desfragmentado? E se eu pudesse acessá-lo pra lá e pra cá embora meu corpo ficasse no sempre presente? É difícil jogar fora a concepção porque nos impinge de geração em geração. Aí fica difícil de pensar diferente. Tipo um limite que vem de cima, talvez bem de dentro da linguagem.
Eu quero mudar minha concepção consciente do tempo, porque eu não acredito mais nela. Ainda não sei o que vai vir no lugar, mas é algo que me deixará menos compatível com o senso comum. Aí está um problema e uma solução. O problema é porque o diálogo diminui com os Outros. A solução porque tenho certeza que expandirei um horizonte e , fazendo isso, no futuro resolvo o problema, pois certamente vou querer dialogar bastante sobre minha nova concepção que, no atual presente, sei lá qual é.
Tô escrevendo coisas absurdas sem fumar nem beber. Acho que isso significa que estou me sentindo melhor da vida.