Existe o silêncio e o vazio dos filmes do Sergio Leone. Como em Era uma vez no Oeste, carregados de antecipação, contagem regressiva para algum acontecimento espetacular, essa preparação dos sentidos que ao mesmo tempo nos desarma, para poder em seguida nos pegar de surpresa.
Existe o silêncio e o vazio dos filmes do Tarkovsky, ruído quase insuportável, representação definitiva do tempo como densidade viva, como força da natureza que a tudo carrega e apodrece, a todos diminui e iguá-la. do tempo como medida da insignificância da vida.
Existe o silêncio e o vazio do Kurosawa, lugar de interrupção do próprio tempo, de intervalo para a existência da imagem bruta, parênteses entre idéias, em que a imagem tenta revelar ao espectador sua materialidade, sua artificialidade, porque apenas assim - como a textura das tintas nos quadros de Van Gogh - é que ela pode transmitir a vida da obra. Veja bem, que para Kurosawa, assim como para Van Gogh, não se trata de convencer-nos de que a obra transmite, alcança, toca a vida, mas apenas de mostrar que na própria obra há, de fato, vida - a vida do artista que a produziu. A vida na forma de matéria trabalhada por um ente vivo.
Existe o silêncio e o vazio dos filmes do Bergman.....